Saturday, February 25, 2006

Quanto dura a alegria do cidadão

Era um televisor muito formoso, botões não tinha muito, o suficiente para ligar e desligar, mudar de canais e alterar o volume. Ocupava muito espaço na sala, afinal era um de 29’’, as cores da “caixa” do aparelho eram claras não chamavam a atenção do espectador, o “design” era absolutamente comum, a moldura do televisor lembrava uma TV das “quadradinhas”.



Quanto dura a alegria do cidadão


A família era grande, o pai acabou de ser transferido de função, ganharia 30% a mais do que estava acostumado a ganhar e resolveu presentear a todos com um aparelho de TV bem maior que o costumeiro nas redondezas. Colocou todos os documentos na carteira, o “hollerit” não poderia faltar, para fazer o crediário tinha de comprovar renda.
Colocou pose e saiu com a família em direção a loja, pensava em um aparelho bem grande, enorme, queria impressionar os vizinhos que não teriam o mesmo poder aquisitivo que ele para a aquisição de um sonho de consumo para assistir a um “futebolzinho”. Não via a hora de chegar ao departamento para poder escolher as maravilhas tecnológicas.
Os preços variavam muito, tinha até por R$ 14.000,00, um absurdo para o momento, mas os olhos não reconheciam o valor financeiro. Foi abaixando de polegadas, passou por uma de 29. Deu-se conta quando estava vendo as de 20. Não era daquelas que queria levar para casa.
Em promoção estava um e apertando caberia no bolso do cidadão honesto e trabalhador que acabava de ser promovido. Entre as promoções da loja e a promoção no emprego aponta aquela TV para levar para a casa. Senta para fazer o crediário em meio à cara de insatisfação da “patroa” e os gritos de felicidade das crianças. Coloca no carro, não queria esperar nem mais um minuto.
Chega e logo retira da caixa, remove o antigo aparelho que reinava na casa e em seguida põe o majestoso.
Era um televisor muito formoso, botões não tinha muito, o suficiente para ligar e desligar, mudar de canais e alterar o volume. Ocupava muito espaço na sala, afinal era um de 29’’, as cores da “caixa” do aparelho eram claras não chamavam a atenção do espectador, o “design” era absolutamente comum, a moldura do televisor lembrava uma TV das “quadradinhas”.
Todos ficaram hipnotizados com aquele deslumbramento do poder de posse da família. As brigas começaram, pois cada um tinha o seu gosto televisivo pessoal e a sala era pequena em relação ao tamanho da majestade e em semelhança as afinidades. Como a noite chegou mais depressa, graças às alegrias, foram dormir.
A noite foi agitada, os vizinhos, em um curto espaço de tempo, espalharam a notícia do novo objeto grande recém chegado. Poucas palavras bastaram para encher a ambição daqueles que não foram promovidos, a atividade que exerciam não precisa de carteira assinada.